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Bacia do rio Tocantins

Em 19/09/2017, o volume útil do Reservatório Equivalente da Bacia do Rio Tocantins era de 29.821hm³, o que equivale a 36,03% do seu volume útil total. Na mesma data do ano passado o armazenamento era de 39,12% do volume útil. O Reservatório Equivalente é formado pelos reservatórios de Serra da Mesa (GO), Peixe Angical (TO) e Tucuruí (PA). Cada hectômetro cúbico (hm³) equivale a 1 bilhão de litros.

Em setembro, a vazão natural afluente média a Serra da Mesa tem sido de 96m³/s, 45% da média esperada para o mês, e a vazão média liberada tem sido de 315m³/s.

A vazão natural afluente média a Peixe Angical tem sido de 136m³/s, 30% da média esperada para o mês. Já a vazão média liberada tem sido de 547m³/s.

Neste mês, a vazão natural afluente média a Tucuruí tem sido de 1.070m³/s, 46% da média esperada para o mês. A vazão média liberada pelo reservatório tem sido de 4.939m³/s.

 

Acompanhe aqui a situação diária dos reservatórios do rio Tocantins

 

Crise hídrica na bacia do rio Tocantins 

Desde 2015, a bacia do rio Tocantins vem enfrentando condições hidrometeorológicas desfavoráveis, com vazões e precipitações abaixo da média. Em função das baixas precipitações, o ano de 2015 foi o que teve as menores vazões no rio Tocantins registradas desde o início das observações em 1931.

O déficit hídrico na bacia do Tocantins vem se acumulado em 2017, pois as chuvas observadas têm ficado abaixo da média esperada. A precipitação observada entre outubro de 2016 e agosto de 2017, por exemplo, foi de apenas 47% da média esperada para o período, segundo dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE). Além disso, a curto prazo não são esperadas precipitações com volumes significantes, o que é normal para o mês de agosto, que historicamente apresenta valores baixos de precipitação na bacia. Segundo o histórico de monitoramento da região, a tendência é que as primeiras chuvas de transição que marcam o início do próximo período chuvoso aconteçam a partir de setembro.

Entre outubro de 2016 e abril de 2017, no último período úmido da bacia, as vazões do rio Tocantins foram as menores já verificadas de todo o histórico. As baixas vazões do rio Tocantins têm acarretado impactos nos níveis de armazenamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas integrantes do Sistema Interligado Nacional (SIN) ali instalados, conforme a figura a seguir.

Dentre as usinas hidrelétricas do SIN, localizadas na calha do rio Tocantins, somente Serra da Mesa (GO), Peixe Angical (TO) e Tucuruí (PA) são reservatórios que possuem capacidade de regularização de vazões.

Com um volume útil de mais de 43.250hm³ (43,25 trilhões de litros), o reservatório de Serra da Mesa tem importância estratégica na regularização de vazões do rio Tocantins e no atendimento dos usos múltiplos da água na bacia. No entanto, o lago de Serra da Mesa tem sentido os reflexos das vazões e precipitações abaixo da média. Uma prova disso é que, em 13 de novembro de 2016, o reservatório atingiu o menor volume útil desde o início de sua operação: 8,72%.

Apesar do armazenamento de mais de 80% de seu volume útil em agosto de 2017, o reservatório de Tucuruí também vem sendo afetado pelas condições hidrometeorológicas adversas da bacia nos últimos anos. Em 2016, por exemplo, pela primeira vez a água não verteu na barragem da hidrelétrica desde o início da operação em Tucuruí.

Em todos os reservatórios das hidrelétricas as vazões liberadas têm sido substancialmente superiores às vazões naturais – aquelas que aconteceriam numa seção do rio caso não houvesse ações antrópicas em sua bacia contribuinte, como: usos consuntivos (que consomem água), regularizações de reservatórios e desvios de água. Caso não houvesse o efeito de regularização proporcionado por Serra da Mesa, as vazões do rio Tocantins estariam consideravelmente mais baixas. 

 

Reunião de avaliação das condições de operação futura dos reservatórios

Em função da crise hídrica na bacia do rio Tocantins, a partir 17 de agosto de 2017 começaram a acontecer reuniões de avaliação das condições de operação futura dos reservatórios do rio Tocantins. Os encontros são divulgados, sem edição, no canal da Agência Nacional de Águas (ANA) no YouTube (www.youtube.com/anagovbr). A princípio foi acordado que estas reuniões são quinzenais e acontecem para debater as condições de operação dos reservatórios da calha do rio com o intuito de preservar os estoques de água da bacia e garantir a continuidade do atendimento aos usos múltiplos de recursos hídricos na região. A princípio, os encontros serão quinzenais. 

Nestas reuniões participam representantes da ANA, dos órgãos gestores de recursos hídricos dos estados da bacia do rio Tocantins (Goiás, Maranhão, Pará e Tocantins), dos principais setores usuários de água da região (como o industrial, de saneamento e de irrigação), do setor elétrico (Ministério de Minas e Energia e Operador Nacional do Sistema Elétrico), do setor de navegação (Ministério dos Transportes, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, Agência Nacional de Transportes Aquaviários), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Integração Nacional, do Ministério Público, entre outras instituições. 

Assista às gravações disponíveis: 

Rio Tocantins

Com aproximadamente 2400km de extensão, o rio Tocantins é o segundo maior curso d’água 100% brasileiro, ficando atrás somente dos cerca de 2800km do rio São Francisco. O Tocantins nasce entre os municípios goianos de Outo Verde de Goiás e Petrolina de Goiás. Ele também atravessa Tocantins, Maranhão e tem sua foz no Pará perto da capital Belém. O rio também pode ser chamado de Tocantins-Araguaia, por se encontrar com o rio Araguaia entre Tocantins e Pará. Os dois cursos d’água também dão nome à Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, que é a maior do Brasil em área de drenagem 100% em território nacional.  Por serem rios interestaduais, a gestão das águas do Tocantins e do Araguaia é de responsabilidade da ANA.

Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia

Segundo dados do relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil, da ANA, a Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia possui uma área de 920.087km² (11% do território nacional) e abrange os estados de Goiás (21%), Tocantins (30%), Pará (30%), Maranhão (4%), Mato Grosso (15%) e o Distrito Federal (0,1%). Sua configuração é alongada, com sentido Sul-Norte, seguindo a direção dos cursos d'água principais: os rios Tocantins e Araguaia.

Quando os rios Tocantins e o Araguaia se encontram, entre Tocantins e Pará, o curso d’água passa a ser chamado somente de rio Tocantins, que segue até desaguar no Oceano Atlântico na Baía da Ilha de Marajó (PA).  

Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 8,6 milhões de pessoas viviam na região hidrográfica (4,5% da população nacional), sendo 76% em áreas urbanas. A densidade demográfica era de 9,3 hab./km², bem menor que a densidade demográfica do país (22,4 hab./km²). 

A Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia apresenta grande potencialidade para a agricultura irrigada, especialmente para o cultivo de frutas e grãos, como arroz, milho e soja. A demanda de água para irrigação corresponde a 62% da demanda total da região e se concentra na sub-bacia do Araguaia devido ao cultivo de arroz por inundação. A área irrigável (por inundação e outros métodos) é estimada em 230.197 hectares. 

Na Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia estão presentes os biomas Floresta Amazônica, ao norte e noroeste, e Cerrado nas demais áreas. O desmatamento da região se intensificou a partir da década de 70, com a construção da rodovia Belém-Brasília, da hidrelétrica de Tucuruí e da expansão das atividades agropecuárias e de mineração. Atualmente, o desmatamento se deve principalmente à atividade de indústrias madeireiras nos estados do Pará e Maranhão. 

Com relação aos indicadores de saneamento básico, de acordo com o Censo de 2010, o nível de abastecimento de água apresenta realidades bastante variadas, com valores indo de 1,2% em Floresta do Araguaia(PA) até 100% em Novo Alegre (TO), Divinópolis do Goiás (GO) e Araguainha (MT). A média regional de atendimento da população por rede de esgoto é de 18% e 6% do esgoto coletado recebe tratamento. 

Conheça o Plano Estratégico de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Tocantins e Araguaia.

Clique aqui para baixar o mapa completo da Região Hidrográfica do Tocantins-Araguaia em formato PDF.

Serra da Mesa

A Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa tem capacidade instalada para geração de 1.275MW, segundo dados de Furnas, que opera o reservatório, e atende ao mercado de energia elétrica do Sistema Interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste. Além disso, a hidrelétrica é responsável pela ligação entre este sistema e o Norte/Nordeste, sendo o elo da Interligação Norte-Sul. Com uma área de 1.784km², o reservatório da hidrelétrica é o maior do Brasil em volume de água: 54.400hm³ (54,4 trilhões de litros), sendo 43.250hm³ (43,25 trilhões de litros) de volume útil. Sua barragem para geração de energia fica no curso principal do rio Tocantins no município de Minaçu (GO).

Peixe Angical

Com potência instalada para geração de 452MW, segundo dados de Furnas, a Usina Hidrelétrica de Peixe Angical entrou em operação comercial em setembro de 2006 no sul de Tocantins. O reservatório tem capacidade máxima de 2.751hm³ (2,751 trilhões de litros) e volume útil de 527hm³ (527 bilhões de litros), além de uma área inundada de 294,1km². Às margens do reservatório, instalado na calha do rio Tocantins, estão os municípios tocantinenses de Peixe, São Salvador do Tocantins e Paranã

Tucuruí

Localizada em Tucuruí (PA), na calha do rio Tocantins, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí tem a maior capacidade instalada entre as usinas 100% nacionais (8370.MW) e fica atrás apenas da usina binacional de Itaipu, cuja potência instalada é de 14.000W. Operada pela Eletronorte, a usina possui capacidade máxima para acumular 50.275hm³ (50,275 trilhões de litros) e volume útil de 38.982hm³ (38,982 trilhões de litros).










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